Qual a sua tribo?

Sem dúvida, os diferentes conceitos dados a comunidade de fala (ou lingüística) são reflexo da diversidade de interesses dos estudos lingüísticos. Dessa forma é coerente que o conceito dado por Gumperz, um sócio-interacionista, dê prioridade a aspectos de interação entre os membros de uma comunidade, assim como é natural que Hymes, um etnolingüísta, enfatize o fato de que o sentimento de comunidade compartilhado pelos membros seja mais importante.

Sabe-se que língua é, entre outras coisas, identidade, ou melhor, um conjunto de identidades sociolingüísticas, tais como identidade idioletal, social, profissional, política, geográfica, cultural, étnica, sexual, etária etc. Por conta disso, o indivíduo ao falar realiza muito mais do que um ato de comunicação.

Quando um indivíduo se expressa, em qualquer língua, e diz o que “quer”, está, na maioria dos casos involuntariamente, expondo traços de sua identidade e dizendo talvez o que não pretendia como sua escolaridade, idade, profissão, região de origem etc. Ocorre que, com exceção da identidade idioletal (cujos traços lingüísticos vão nos tornar únicos), as outras tantas identidades vão possuir traços lingüísticos compartilhados por diferentes indivíduos. Esses traços lingüísticos compartilhados vão levar nosso interlocutor a automaticamente nos associar a outros falantes e, são também, esses traços que nos vão dar a sensação de identificação com uma série de outros indivíduos.

Grosso modo, a língua que falamos nos insere em uma comunidade lingüística ou comunidade de fala porque possuímos uma série de características lingüísticas (entre elas atitudes lingüísticas) comuns a outros indivíduos. Mas isso é de longe um ponto pacífico entre os lingüistas. Comunidade lingüística e comunidade de fala são ainda conceitos bastante confusos na literatura.

Com este artigo pretendo discutir conceitos dados a comunidade lingüística ou comunidade de fala tentando, de alguma forma, encontrar consensos entre opiniões de diferentes estudiosos.

 

Comunidade de fala ou Comunidade lingüística?

 

i)Em que país você nasceu?  ii)Que língua você fala?  iii)Por que você fala essa língua?  iv)Todas as pessoas que nasceram no seu país falam como você?  v)Quem fala como você?  vi)O que aproxima você das pessoas que falam como você (idade, sexo, profissão, região, vocabulário, sotaque…)?  vii)Você gosta da língua que fala?

Ao tentar responder essas perguntas, por mais rápidas, simples ou confusas que possam ser nossas respostas, acabamos nos situando em pelo menos uma comunidade, um grupo de pessoas com características afins, entre elas traços e atitudes lingüísticas. Mas, ao mesmo tempo em que tais características nos inserem em um grupo, nos distinguem de outros, o que nos leva a crer que existem fronteiras lingüísticas entre comunidades. Mas o que caracterizam tais fronteiras? Poderíamos dizer que por palatalizarem muito mais o –s final de sílabas (o falar chiado) os cariocas estariam estabelecendo fronteiras? Ou ainda os cearenses por fazerem muito mais uso de vogais abertas?

Determinar fronteiras lingüísticas entre comunidades de falantes não é tarefa fácil. As tentativas de fazê-lo reuniram conceitos variados em torno dos termos comunidade de fala e comunidade lingüística. Existem pelo menos três grandes questões a respeito desses conceitos. A primeira delas é qual o alcance do conceito de comunidade. Outra questão é quais os critérios de demarcação de uma comunidade e, finalmente, quais as diferenças conceituais e práticas entre uma comunidade lingüística e uma comunidade de fala.

Para ler o artigo clique aqui: http://docs.google.com/View?docID=dc8dj3kp_88d23wf5&revision=_latest

 

Heterogeneidade linguística

A concepção heterogênea de língua defendida por Labov é resultado da assunção definitiva do aspecto social da linguagem que traz em seu bojo o estudo dos diversos condicionadores sociais que operam na variação e mudança lingüística. Como lembra Dorian (1994 apud MONTEIRO, 2000, p.58), “a heterogeneidade lingüística reflete a variabilidade social e as diferenças no uso das variantes lingüísticas correspondentes às diversidades dos grupos sociais e à sensibilidade que eles mantêm em termos de uma ou mais normas de prestígio”.

A grande crítica de Labov ao modelo saussuriano e chomskiano é baseada no fato de estes modelos se dedicarem exclusivamente à contemplação de seus próprios idioletos (cf. MONTEIRO, 2000) e de não abrirem perspectivas a análises lingüísticas de enfoque social.

Weinrich, Labov e Herzog (1968, p.162) trazem a noção de heterogeneidade lingüística, que prevê a língua como um sistema heterogêneo, ou seja, ao contrário de ser um sistema fechado, fixo e homogêneo a língua é, na verdade, um sistema de regras variáveis e categóricas que dão conta da sistematização de um possível ou aparente “caos” lingüístico.

A idéia de que existe um falante-ouvinte ideal e de que as comunidades lingüísticas são homogêneas não se sustenta e, como lembra Tarallo (1985, p.6), a cada situação de fala em que nos inserimos e da qual participamos, notamos que a língua falada é, a um só tempo, heterogênea e diversificada. A proposta da sociolingüística é de buscar a sistematização dessa heterogeneidade, ou do que Tarallo chama de “caos aparente”.

A concepção heterogênea de língua defendida por Labov é resultado da assunção definitiva do aspecto social da linguagem que traz em seu bojo o estudo dos diversos condicionadores sociais que operam na variação e mudança lingüística. Como lembra Dorian (1994 apud MONTEIRO, 2000, p.58), “a heterogeneidade lingüística reflete a variabilidade social e as diferenças no uso das variantes lingüísticas correspondentes às diversidades dos grupos sociais e à sensibilidade que eles mantêm em termos de uma ou mais normas de prestígio”.  

Por esse ponto de vista, a variação lingüística é um processo natural na língua e está fortemente condicionado socialmente. A língua só dá conta desse processo porque é heterogênea e opera com regras variáveis.

 

Fonte: VIANA, Suelen de Andrade. Por uma interface sociolinguistica no livro didático de lingua portuguesa: análises e contribuições. Dissertação mestrado. UFSC, 2005.

Heterogeneidade linguistica

A língua, minha gente, é livre e boa, nós é que a aprisionamos em nossos modelos ‘clássicos’ e ”necessários’ de comunicação que demanda a sociedade. A característica fundamentalemente social da língua (aqui está minha visão de sociolinguista) permite que isso (a variação e mudança) aconteça. Permite que no imenso território brasileiro encontremos ricas variedades do português ‘bem dizido’. É linda a língua livre.

É isso! Língua é movimento, dinamismo, mudança. Não há como, por mais que se tente, colocar camisa de força na língua de um povo e desejar que ela segure as barras da criatividade e originalidade humanas. A língua, minha gente, é livre e boa, nós é que a aprisionamos em nossos modelos ‘clássicos’ e ‘necessários’ de comunicação que demanda a sociedade. A característica fundamentalmente social da língua (aqui está minha visão de sociolinguista) permite que isso (a variação e mudança) aconteça. Permite que no imenso território brasileiro encontremos ricas variedades do português ‘bem dizido’. É linda a língua livre. Também é linda a língua vestida para ir ao baile, mas a gente sabe que cansa ficar no salto ou no “black ‘n’ tie” o tempo inteiro. Por isso precisamos relaxar com a línguagem também. Aqui está um video de um ótimo comediante brasileiro demonstrando como é grande nossa variedade e heterogeneidade linguistica. A língua varia dentro de seu eixo, mas não desingrena. Se é que você me entende.
Assista!

Qu’est-ce que c’est?

O Francês é uma das principais línguas românicas, com número de falantes que, segundo consta, é inferior apenas ao número de falantes de espanhol e português. A maior parte do vocabulário francês é de origem latina e germânica. De complicado para mim só tem a pronúncia.

Aprender uma segunda língua é certamente um desafio. Torna-se um desafio maior ainda quando mal conhecemos a dinâmica de nossa própria língua (a chamada língua materna). Eu sou um ótimo exemplo de quem conhece muito bem a dinâmica de minha língua materna e sua padronização em língua oficial brasileira, e que, no entanto, usa muito frequentemente e com naturalidade todo o ‘despadrão’ que ela se permite ter. Tanto na habilidade oral quanto na habilidade escrita. Na prática estou sempre brigando com o ‘certo’ da língua. O que é um paradoxo já que sou oficialmente professora de língua portuguesa e inglesa. É o chamado faça o que digo e só faça o que faço quando tiver autonomia para isso.

No momento estou me dedicando ao aprendizado da língua francesa. Já faz algum tempo que tento aprender esta língua, desde que namorei um francês (e eu só tinha 23 anos).

Sou autodidata. Aprendi inglês sozinha. Nunca precisei ir à escola e já me comunicava muito bem em inglês aos 15 anos. Entrei para a universidade para estudar literatura e língua portuguesa quando, por um momento, decidi me dedicar ao estudo mais formal da língua inglesa (quando descobri que eu precisava aprender muito ainda sobre a língua). Costumo dizer aos meus alunos: “Se isso é possível para mim, a mais atrapalhada das pessoas, será possível para vocês“.

Sempre gostei muito de ler e estudar a língua portuguesa, e houve uma época, acredite, que eu conhecia todas as regras de acentuação, fazia análise sintática melhor que muito professor e ainda conhecia formas regulares e irregulares dos verbos então em mudança na língua (o caso dos particípios verbais – ela tinha abrido, chegado, escrevido…). Era aluna nota 10! Nunca fui boa em ortografia, é verdade. Mas isso eu sempre preferi projetar para minha falta de memória fotográfica e ainda minha dislexia (descoberta tardiamente e hoje mais controlada).

Voltemos ao francês. De férias oficialmente agora, voltei a estudar esta língua que me fascina cada vez mais. Estudo sozinha, claro. É meu estilo, é assim que aprendo. Os métodos comunicativos e sociointerativos que me perdoem, mas sou mesmo um ser à parte.

O Francês é uma das principais línguas românicas, com número de falantes que, segundo consta, é inferior apenas ao número de falantes de espanhol e português. A maior parte do vocabulário francês é de origem latina e germânica. De complicado para mim só tem a pronúncia.

Quero indicar neste post alguns sites que me ajudam a aprender esta língua hoje. Tome nota. Eles são muito bons.

1 – http://www.livemocha.com
2 – http://www.babelmundo.com.pt
3 – http://www.bbc.co.uk/languages/french/
4 – http://www.frenchassistant.com/

O melhor deles ainda é o ‘livemocha’. Neste site, além do francês você pode aprender inúmeras outras línguas. Ele é gratuito e conta com a colaboração e boa vontade da comunidade linguística global. Um investimento concreto e pláusivel do intelecto coletivo. Tente!

Trocando em miúdos!

Cezar e o antigo império romano: Panis et circensis”! Minha política também é por vezes a da negligência às grandes causas humanas, da obliteração do espírito crítico que parece querer se apoderar de nós depois de um certo tempo de vida e nos escravizar ao eterno contestar. Dou-me de comer e de beber e me garanto diversão e gargalhadas. Alimento-me do pão e me comprometo com o circo. Descobri que Cezar pode ter inaugurado um estilo de vida com sua política oportunista. Coma e divirta-se! Alimento-me do resto que sobra para garantir-me alguma sanidade e força suficiente para sobreviver neste mundo. Faço buracos nas vendas que pus nos olhos para me permitir uma visão mínima das coisas. E ainda assim dizem que levo as coisas muito a sério. Ah se eles soubesse!