Sharing is good!

Sharing is good!

Nowadays with this boom in virtual sharing of collective intelligence, when we have a bunch of virtual networks helping us spread the world our findings – which are rarely original and mostly an improvement or a better organization of others’ ideas (it is wise and recommended to recognize this), we can easily come across great ideas that are wisely shared in cyberspace, helping out collective intelligence grow bigger and responsibly.

This Friday at ICBEU I will be presenting, together with teacher Marisa, the most interesting things I could learn while participating in the congress in Buenos Aires. We will talk about two of them:

One about movie segments to assess and grammar goals, by teacher Claudio Azevedo from Casa Thomas Jefferson and another about The ABC´s of Wikis, by William Machado & Valeria Guerra from Uruguai.

Thank you for sharing, dear!!

News: ICBEU at ABS International

ABS international – Buenos Aires/Argentina

ABS international – Teaching Reading, by Suelen de Andrade Viana and Marisa Zuazo

ABS international – Teaching Reading, by Suelen de Andrade Viana and Marisa Zuazo

Thank you for coming here to get some inspiration. If you were in our presentation, thank you a lot. We are  making them available here the PPT we used and some links related (later on).  We  hope they will be useful.

1. ABS-Teaching Reading by Suelen Viana

2. ABS – Teaching Vocabulary by Marisa Zuazo

If you want activities for extensive reading, just send me an email (suavian@gmail.com) , or if you want to talk to Marisa Zuazo send an email to marisa.zuazo@gmail.com

See you in ABS International next year.

Talking to poets II

Talking to poets today presents my favorite poem by Goethe (in Englih, I am sorry. I don’t have it in the original form)

Não faz tempo, eu tinha 12 anos (risos), eu aprendi uma palavra que poderia definir o que eu também era. Por algum tempo achei que timidez fosse o meu caso, mas não era, era algo mais grave, era mesmo misantropia. Misantropia!! Essa é a palavra que depois me fez escreve-la em poemas que falavam de formigas, que para mim são doces representantes da minha misantropia (se não estiver aqui está em meu blog, depois procuro e mostro). Misantropia é a palavra que a minha amiga Juliana parece que adorou aprender comigo. Misantropia é meu estado quase patológico às vezes de afastamento do convívio social e de entrega total a mim mesma…Coisa de gente meio bicho.  Mas, nem sei porque estou escrevendo em português. Deveria estar escrevendo em alemão já que o poeta que trago hoje escrevia em tal língua. Poderia também escrever em francês em homenagem a Molière que também se dedicou ao tema do misantropo.

Talking to poets today presents my favorite poem by Goethe (in Englih, I am sorry. I don’t have it in the original form)

THE MISANTHROPE.

AT first awhile sits he,

With calm, unruffled brow;
His features then I see,
Distorted hideously,–

An owl’s they might be now.

What is it, askest thou?
Is’t love, or is’t ennui?

‘Tis both at once, I vow.

1767-9.

Bringing some intertextuality I also present one part of the play  “The misanthrope” (Le Misanthrope ou l’Atrabilaire amoureux) by Moilère, which is a very good piece of this play.

Act I

Scene I.—Philinte, Alceste.

Philinte. What is the matter? What ails you? Alceste (seated). Leave me, I pray. Philinte. But, once more, tell me what strange whim… Alceste. Leave me, I tell you, and get out of my sight. Philinte. But you might at least listen to people, without getting angry. Alceste. I choose to get angry, and I do not choose to listen. Philinte. I do not understand you in these abrupt moods, and although we are friends, I am the first… Alceste (rising quickly). I, your friend? Lay not that flattering unction to your soul. I have until now professed to be so; but after what I have just seen of you, I tell you candidly that I am such no longer; I have no wish to occupy a place in a corrupt heart.

Philinte. I am then very much to be blamed from your point of view, Alceste?

Alceste. To be blamed? You ought to die from very shame; there is no excuse for such behaviour, and every man of honour must be disgusted at it. I see you almost stifle a man with caresses, show him the most ardent affection, and overwhelm him with protestations, offers, and vows of friendship. Your ebullitions of tenderness know no bounds; and when I ask you who that man is, you can scarcely tell me his name; your feelings for him, the moment you have turned your back, suddenly cool; you speak of him most indifferently to me. Zounds! I call it unworthy, base, and infamous, so far to lower one’s self as to act contrary to one’s own feelings, and if, by some mischance, I had done such a thing, I should hang myself at once out of sheer vexation.

Não se preocupe, eu hoje não estou misantropa rsrs

Talking to poets

I do appreciate reading poems. I can read them in English, Spanish and of course my sweet and beloved mother language, Portuguese (in my case all varieties of it).  Today I was searching for some reading on American Culture and I came accross some poems by Emily Dickinson. I like them! But I have found my favorite. Here it goes:

XXVIII

Experiment to me
Is every one I meet.
If it contain a kernel?
The figure of a nut

Presents upon a tree,
Equally plausibly;
But meat within is requisite,
To squirrels and to me.

But, coming back to my search, I did find many useful sites about American culture. If you would want to have a look at them, here they are:

http://digitalgallery.nypl.org/nypldigital/explore/dgexplore.cfm?topic=all&collection=PicturingAmerica1497&col_id=190

http://www.youtube.com/watch?v=sLzo9pOXa-s&feature=related

http://xroads.virginia.edu/~hyper/hypertex.html

Any further reading?

CAMPBELL, Neil and Alasdair Kean, American Cultural Studies. An Introduction to American Culture, London and New York: Routledge. 2008.
AGNEW, Jean-Christophe and Roy Rosenzweig, eds., A Companion to Post-1945 America, Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 2006. (selecção de textos)
RANGNO, Erik V. R., Contemporary American Literature, 1945-Present: American Literature in Its Historical, Cultural, and Social Contexts, (N.Y.: Facts on File, Inc., 2005)
HUTNER, Gordon, American Literature, American Culture, New York, Oxford: Oxford University Press, 1999. (selecção de textos)
SLOTKIN, Richard, Gunfighter Nation: The Myth of the Frontier in the Twentieth-Century America, New York: Atheneum, 1998.
Other bibliography and a list of films will be specified in the complete course description.

A road to be taken

1000 words I received today.
Unexpected they were,
and happy they made stay.

1000 words came to me to say
that life was never mistaken
when put you in my way.

Two roads converged in a rain forest
After long before the travel had started
Two roads they still remain
and soon they will diverge again

I shall be telling this with a sigh,
two roads converged in a rain forest,
and who would dare to state
that life is not in love with fate?

By Suelen de A. Viana, in 12/08/2009, based on ‘The road not taken’, by Robert Lee Frost

‘Nossa’ língua portuguesa!

Ainda sobre o acordo ortográfico… Aqui estão algumas regras básicas sobre o novo acordo. É só ler e por em prática. Minha opinião? Bom, unificar a gente sabe que não unifica; talvez atenda algumas necessidade e demandas comerciais, de mercado, mas é só! …

Ainda sobre o acordo ortográfico…

Aqui estão algumas regras básicas sobre o novo acordo. É só ler e por em prática. Minha opinião? Bom, unificar a gente sabe que não unifica;   talvez atenda a  algumas necessidade e demandas comerciais, de mercado, mas é só! … De qualquer forma, contra a força não há argumentos – ja dizia La Fontaine. É a língua de Estado, é de cima para baixo e quem não aprende se arrepende. 😉

HÍFEN

Não se usará mais: 1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, “hiper-“, “inter-” e “super-“- como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista” 2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”

TREMA

Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados

ACENTO DIFERENCIAL

Não se usará mais para diferenciar: 1. “pára” (flexão do verbo parar) de “para” (preposição) 2. “péla” (flexão do verbo pelar) de “pela” (combinação da preposição com o artigo) 3. “pólo” (substantivo) de “polo” (combinação antiga e popular de “por” e “lo”) 4. “pélo” (flexão do verbo pelar), “pêlo” (substantivo) e “pelo” (combinação da preposição com o artigo) 5. “pêra” (substantivo – fruta), “péra” (substantivo arcaico – pedra) e “pera” (preposição arcaica)

ALFABETO

Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”

ACENTO CIRCUNFLEXO

Não se usará mais: 1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus derivados. A grafia correta será “creem”, “deem”, “leem” e “veem” 2. em palavras terminados em hiato “oo”, como “enjôo” ou “vôo” -que se tornam “enjoo” e “voo”

ACENTO AGUDO

Não se usará mais: 1. nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia” 2. nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: “feiúra” e “baiúca” passam a ser grafadas “feiura” e “baiuca” 3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem

GRAFIA

No português lusitano: 1. desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” -que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo” Alfabeto O alfabeto da língua portuguesa passa a ter 26 letras, com a inclusão oficial do k, w e y. Acentuação As paroxítonas com ditongos abertos tônicos éi e ói, como “idéia” e “paranóico” perdem o acento agudo. Palavras como crêem, dêem, lêem e vêem também perderão o acento, assim como as paroxítonas com acento circunflexo no penúltimo o do hiato oo(s) (vôo, enjôo). Palavras homógrafas (com a mesma grafia, mas com pronúncia diferente) como pára, pêlo, pélo e pólo também não serão mais acentuadas. Paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo decrescente, como “feiúra” e “baiúca”, também não levarão acento. Palavras homógrafas (com a mesma grafia, mas com pronúncia diferente) como pára, pêlo, pélo e pólo também não serão mais acentuadas. Paroxítonas cujas vogais tônicas i e u são precedidas de ditongo decrescente, como “feiúra” e “baiúca”, também não levarão acento.

Qual a sua tribo?

Sem dúvida, os diferentes conceitos dados a comunidade de fala (ou lingüística) são reflexo da diversidade de interesses dos estudos lingüísticos. Dessa forma é coerente que o conceito dado por Gumperz, um sócio-interacionista, dê prioridade a aspectos de interação entre os membros de uma comunidade, assim como é natural que Hymes, um etnolingüísta, enfatize o fato de que o sentimento de comunidade compartilhado pelos membros seja mais importante.

Sabe-se que língua é, entre outras coisas, identidade, ou melhor, um conjunto de identidades sociolingüísticas, tais como identidade idioletal, social, profissional, política, geográfica, cultural, étnica, sexual, etária etc. Por conta disso, o indivíduo ao falar realiza muito mais do que um ato de comunicação.

Quando um indivíduo se expressa, em qualquer língua, e diz o que “quer”, está, na maioria dos casos involuntariamente, expondo traços de sua identidade e dizendo talvez o que não pretendia como sua escolaridade, idade, profissão, região de origem etc. Ocorre que, com exceção da identidade idioletal (cujos traços lingüísticos vão nos tornar únicos), as outras tantas identidades vão possuir traços lingüísticos compartilhados por diferentes indivíduos. Esses traços lingüísticos compartilhados vão levar nosso interlocutor a automaticamente nos associar a outros falantes e, são também, esses traços que nos vão dar a sensação de identificação com uma série de outros indivíduos.

Grosso modo, a língua que falamos nos insere em uma comunidade lingüística ou comunidade de fala porque possuímos uma série de características lingüísticas (entre elas atitudes lingüísticas) comuns a outros indivíduos. Mas isso é de longe um ponto pacífico entre os lingüistas. Comunidade lingüística e comunidade de fala são ainda conceitos bastante confusos na literatura.

Com este artigo pretendo discutir conceitos dados a comunidade lingüística ou comunidade de fala tentando, de alguma forma, encontrar consensos entre opiniões de diferentes estudiosos.

 

Comunidade de fala ou Comunidade lingüística?

 

i)Em que país você nasceu?  ii)Que língua você fala?  iii)Por que você fala essa língua?  iv)Todas as pessoas que nasceram no seu país falam como você?  v)Quem fala como você?  vi)O que aproxima você das pessoas que falam como você (idade, sexo, profissão, região, vocabulário, sotaque…)?  vii)Você gosta da língua que fala?

Ao tentar responder essas perguntas, por mais rápidas, simples ou confusas que possam ser nossas respostas, acabamos nos situando em pelo menos uma comunidade, um grupo de pessoas com características afins, entre elas traços e atitudes lingüísticas. Mas, ao mesmo tempo em que tais características nos inserem em um grupo, nos distinguem de outros, o que nos leva a crer que existem fronteiras lingüísticas entre comunidades. Mas o que caracterizam tais fronteiras? Poderíamos dizer que por palatalizarem muito mais o –s final de sílabas (o falar chiado) os cariocas estariam estabelecendo fronteiras? Ou ainda os cearenses por fazerem muito mais uso de vogais abertas?

Determinar fronteiras lingüísticas entre comunidades de falantes não é tarefa fácil. As tentativas de fazê-lo reuniram conceitos variados em torno dos termos comunidade de fala e comunidade lingüística. Existem pelo menos três grandes questões a respeito desses conceitos. A primeira delas é qual o alcance do conceito de comunidade. Outra questão é quais os critérios de demarcação de uma comunidade e, finalmente, quais as diferenças conceituais e práticas entre uma comunidade lingüística e uma comunidade de fala.

Para ler o artigo clique aqui: http://docs.google.com/View?docID=dc8dj3kp_88d23wf5&revision=_latest

 

Heterogeneidade linguística

A concepção heterogênea de língua defendida por Labov é resultado da assunção definitiva do aspecto social da linguagem que traz em seu bojo o estudo dos diversos condicionadores sociais que operam na variação e mudança lingüística. Como lembra Dorian (1994 apud MONTEIRO, 2000, p.58), “a heterogeneidade lingüística reflete a variabilidade social e as diferenças no uso das variantes lingüísticas correspondentes às diversidades dos grupos sociais e à sensibilidade que eles mantêm em termos de uma ou mais normas de prestígio”.

A grande crítica de Labov ao modelo saussuriano e chomskiano é baseada no fato de estes modelos se dedicarem exclusivamente à contemplação de seus próprios idioletos (cf. MONTEIRO, 2000) e de não abrirem perspectivas a análises lingüísticas de enfoque social.

Weinrich, Labov e Herzog (1968, p.162) trazem a noção de heterogeneidade lingüística, que prevê a língua como um sistema heterogêneo, ou seja, ao contrário de ser um sistema fechado, fixo e homogêneo a língua é, na verdade, um sistema de regras variáveis e categóricas que dão conta da sistematização de um possível ou aparente “caos” lingüístico.

A idéia de que existe um falante-ouvinte ideal e de que as comunidades lingüísticas são homogêneas não se sustenta e, como lembra Tarallo (1985, p.6), a cada situação de fala em que nos inserimos e da qual participamos, notamos que a língua falada é, a um só tempo, heterogênea e diversificada. A proposta da sociolingüística é de buscar a sistematização dessa heterogeneidade, ou do que Tarallo chama de “caos aparente”.

A concepção heterogênea de língua defendida por Labov é resultado da assunção definitiva do aspecto social da linguagem que traz em seu bojo o estudo dos diversos condicionadores sociais que operam na variação e mudança lingüística. Como lembra Dorian (1994 apud MONTEIRO, 2000, p.58), “a heterogeneidade lingüística reflete a variabilidade social e as diferenças no uso das variantes lingüísticas correspondentes às diversidades dos grupos sociais e à sensibilidade que eles mantêm em termos de uma ou mais normas de prestígio”.  

Por esse ponto de vista, a variação lingüística é um processo natural na língua e está fortemente condicionado socialmente. A língua só dá conta desse processo porque é heterogênea e opera com regras variáveis.

 

Fonte: VIANA, Suelen de Andrade. Por uma interface sociolinguistica no livro didático de lingua portuguesa: análises e contribuições. Dissertação mestrado. UFSC, 2005.

Preconceito linguístico

O Estado, com suas políticas lingüísticas, dá, portanto, o primeiro passo, para a imposição de uma dada norma lingüística, como foi feito no Brasil na época de Pombal, mas para que uma cultura lingüística se constitua como característica de um povo é preciso que se estabeleça uma outra força de dominação, que é a dominação simbólica caracterizada por coerções exercidas também entre os membros de uma comunidade.

“Nunca se escreveu e falou tão mal o idioma de Rui Barbosa.” (Arnaldo Niskier, O DIA, 29/02/1999).

 

Declarações como a de cima são comuns entre muitos que acreditam que a língua que falamos seja, ou pelo menos tenha o dever de ser, o idioma de Rui Barbosa. Mas quem foi Rui Barbosa? Façamos um recorte espaço-temporal para encontrar este indivíduo na sociedade que se constituiu como brasileira.

Rui Barbosa, ou o referente principal deste nome, foi um homem, que viveu por um determinado tempo de um século passado, inserido em uma determinada época histórica e social; um homem que se constituiu como indivíduo falante de língua portuguesa naquele tempo em que viveu e que se tornou reconhecido e respeitado por sua participação histórica e política na sociedade de que fazia parte e que certamente sabia falar sua língua, a língua de Rui Barbosa, um idioleto, que seguia a norma padrão e que era, portanto, reconhecidamente similar ao idioma de nossos colonizadores, nossos irmãos portugueses, a quem respeitosamente servia.

A localização espaço-temporal de Rui Barbosa permite um recorte diacrônico da língua que se reconhecia como “certa” e “boa” naquela época; é um banco de dados riquíssimo para estudos sociolingüísticos de ordem diacrônica; é uma “língua” cujo conhecimento é também imprescindível para aqueles que pretendem, nas artes cênicas em geral, imitá-lo de forma verossímil. É, portanto, nessa última opção, e só nessa, que cabe a observação de Niskier citada anteriormente, caso alguém venha a imitar Rui Barbosa erroneamente no teatro ou em novelas e mini-séries “globais”. Só, e somente só, nessa situação. Em qualquer outro contexto essa afirmação não passará da expressão explícita de preconceito lingüístico.

A declaração de Niskier revela espantosamente que nossa cultura lingüística está profundamente contaminada pelos propósitos da declaração dada por Pombal no século XVIII quando afirmava o ensino obrigatório do idioma do Príncipe no Brasil, como podemos ver abaixo no fragmento trazido por Soares (2002, p.159).

 

“Sempre foi máxima inalteravelmente praticada em todas as nações que conquistaram novos domínios, introduzir logo nos povos conquistados o seu próprio idioma, por ser indispensável, que este é um meio dos mais eficazes para desterrar dos povos rústicos a barbaridade dos seus antigos costumes e ter mostrado a experiência que, ao mesmo passo que se introduz neles o uso da língua do Príncipe, que os conquistou, se lhes radica também o afeto, a veneração e a obediência ao mesmo Príncipe.”

 

O idioma de Rui Barbosa era certamente o idioma do Príncipe, mas este já não reina mais nem por lá, imagina aqui no Brasil. Querer que falantes do português no Brasil, em pleno século XXI, utilizem o idioma que foi falado por Rui Barbosa é a revelação clássica de um dos mais antigos preconceitos lingüísticos. É, sem dúvida, um ato de insanidade lingüística.

No entanto, cabe uma análise racional do preconceito lingüístico que se estabelece a partir da ação conjunta de fatores variados. O primeiro desses fatores é a criação ou elevação de uma língua oficial para representar o Estado. É a partir daí que, segundo Bourdieu, 1996, se constroem valores distintivos entre os produtos do habitus lingüístico. A constituição de um Estado estabelece paralelamente a constituição de valores simbólicos de um mercado lingüístico, fato que complementará a natureza da dominação simbólica e a essência de toda uma cultura lingüística.

O Estado, com suas políticas lingüísticas, dá, portanto, o primeiro passo, para a imposição de uma dada norma lingüística, como foi feito no Brasil na época de Pombal, mas para que uma cultura lingüística se constitua como característica de um povo é preciso que se estabeleça uma outra força de dominação, que é a dominação simbólica caracterizada por coerções exercidas também entre os membros de uma comunidade.

Como ressalta Bourdieu (1996), não se devem imputar os avanços da língua oficial e da dominação simbólica unicamente à eficácia direta de coerções políticas. Segundo o mesmo autor (p.37), “toda dominação simbólica supõe, por parte daqueles que sofrem seu impacto, uma forma de cumplicidade que não é submissão passiva a uma coerção externa nem livre adesão a valores”. Por conta dessa característica é que todos nós temos nossa parcela de participação na manutenção de valores simbólicos atribuídos a diferentes variedades lingüísticas, por nossa cumplicidade tácita ou explícita com o sistema de dominação.

Dessa forma, se permitimos um ensino lingüístico acrítico e antidemocráticos estamos transformando a escola num espaço legítimo de vendas e compras simbólicas do mercado lingüístico que se estabelece por força das diferenças sociais; e estamos contribuindo, portanto, com o crescimento de uma cultura lingüística preconceituosa, o que certamente não é coerente com os propósitos de uma educação democrática.

 

Fonte: VIANA, Suelen de Andrade. Por uma interface sociolinguistica no livro didático de lingua portuguesa: análises e contribuições. Dissertação mestrado. UFSC, 2005.

Heterogeneidade linguistica

A língua, minha gente, é livre e boa, nós é que a aprisionamos em nossos modelos ‘clássicos’ e ”necessários’ de comunicação que demanda a sociedade. A característica fundamentalemente social da língua (aqui está minha visão de sociolinguista) permite que isso (a variação e mudança) aconteça. Permite que no imenso território brasileiro encontremos ricas variedades do português ‘bem dizido’. É linda a língua livre.

É isso! Língua é movimento, dinamismo, mudança. Não há como, por mais que se tente, colocar camisa de força na língua de um povo e desejar que ela segure as barras da criatividade e originalidade humanas. A língua, minha gente, é livre e boa, nós é que a aprisionamos em nossos modelos ‘clássicos’ e ‘necessários’ de comunicação que demanda a sociedade. A característica fundamentalmente social da língua (aqui está minha visão de sociolinguista) permite que isso (a variação e mudança) aconteça. Permite que no imenso território brasileiro encontremos ricas variedades do português ‘bem dizido’. É linda a língua livre. Também é linda a língua vestida para ir ao baile, mas a gente sabe que cansa ficar no salto ou no “black ‘n’ tie” o tempo inteiro. Por isso precisamos relaxar com a línguagem também. Aqui está um video de um ótimo comediante brasileiro demonstrando como é grande nossa variedade e heterogeneidade linguistica. A língua varia dentro de seu eixo, mas não desingrena. Se é que você me entende.
Assista!

Qu’est-ce que c’est?

O Francês é uma das principais línguas românicas, com número de falantes que, segundo consta, é inferior apenas ao número de falantes de espanhol e português. A maior parte do vocabulário francês é de origem latina e germânica. De complicado para mim só tem a pronúncia.

Aprender uma segunda língua é certamente um desafio. Torna-se um desafio maior ainda quando mal conhecemos a dinâmica de nossa própria língua (a chamada língua materna). Eu sou um ótimo exemplo de quem conhece muito bem a dinâmica de minha língua materna e sua padronização em língua oficial brasileira, e que, no entanto, usa muito frequentemente e com naturalidade todo o ‘despadrão’ que ela se permite ter. Tanto na habilidade oral quanto na habilidade escrita. Na prática estou sempre brigando com o ‘certo’ da língua. O que é um paradoxo já que sou oficialmente professora de língua portuguesa e inglesa. É o chamado faça o que digo e só faça o que faço quando tiver autonomia para isso.

No momento estou me dedicando ao aprendizado da língua francesa. Já faz algum tempo que tento aprender esta língua, desde que namorei um francês (e eu só tinha 23 anos).

Sou autodidata. Aprendi inglês sozinha. Nunca precisei ir à escola e já me comunicava muito bem em inglês aos 15 anos. Entrei para a universidade para estudar literatura e língua portuguesa quando, por um momento, decidi me dedicar ao estudo mais formal da língua inglesa (quando descobri que eu precisava aprender muito ainda sobre a língua). Costumo dizer aos meus alunos: “Se isso é possível para mim, a mais atrapalhada das pessoas, será possível para vocês“.

Sempre gostei muito de ler e estudar a língua portuguesa, e houve uma época, acredite, que eu conhecia todas as regras de acentuação, fazia análise sintática melhor que muito professor e ainda conhecia formas regulares e irregulares dos verbos então em mudança na língua (o caso dos particípios verbais – ela tinha abrido, chegado, escrevido…). Era aluna nota 10! Nunca fui boa em ortografia, é verdade. Mas isso eu sempre preferi projetar para minha falta de memória fotográfica e ainda minha dislexia (descoberta tardiamente e hoje mais controlada).

Voltemos ao francês. De férias oficialmente agora, voltei a estudar esta língua que me fascina cada vez mais. Estudo sozinha, claro. É meu estilo, é assim que aprendo. Os métodos comunicativos e sociointerativos que me perdoem, mas sou mesmo um ser à parte.

O Francês é uma das principais línguas românicas, com número de falantes que, segundo consta, é inferior apenas ao número de falantes de espanhol e português. A maior parte do vocabulário francês é de origem latina e germânica. De complicado para mim só tem a pronúncia.

Quero indicar neste post alguns sites que me ajudam a aprender esta língua hoje. Tome nota. Eles são muito bons.

1 – http://www.livemocha.com
2 – http://www.babelmundo.com.pt
3 – http://www.bbc.co.uk/languages/french/
4 – http://www.frenchassistant.com/

O melhor deles ainda é o ‘livemocha’. Neste site, além do francês você pode aprender inúmeras outras línguas. Ele é gratuito e conta com a colaboração e boa vontade da comunidade linguística global. Um investimento concreto e pláusivel do intelecto coletivo. Tente!