Educado na China?

Asian girl with fileA primeira vez que escutei algo sobre educação chinesa foi em 2013 e de lá pra cá sempre aparece um ou outro artigo falando sobre a facilidade com que alunos chineses parecem ter de superarem alunos de outras nacionalidades em exames internacionais.

De 2013 para cá, já houve quem rejeitasse e quem levasse esse assunto a sério. O fato é que não há ainda estudos suficientes que revelem o que está por detrás das tais aprovações- que estatisticamente ainda não são significativas, apenas mostram o que pode ser um diferencial.

O que estaria por detrás dessa possível eficiência do sistema educacional chinês? Alunos de mesma idade e nível escolar, chineses e britânicos consequem resultados bem distantes uns dos outros nos mesmos exames, com destaque para os alunos chineses que segundo consta conseguem resultados até 30% mais altos.

Eu tive um aluno chinês (de pais chineses) nas aulas de TOEFL em Manaus quando travalhava no Icbeu. Era uma época em que muitos jovens universitários estavam se preprarando para passar com boa aprovação nesse exame por conta do programa ciências sem fronteiras. Lembro-me como se fosse hoje aquele jovem adentrando o laboratório com seu pai e muito timidamente dizendo que precisava se preprarar para o exame. No dia seguinte ele apareceu no horário e com as leituras que eu havia deixado no LMS em dia.

Ele era o mais concentrado dos alunos. Fazia tudo no tempo certo e em extremo silêncio. Entrava, fazia os simulados, corrigíamos, ele recebia as leituras no LMS, voltava no dia seguinte e assim foi até que o curso estivesse concluido. Antes de ele ir embora eu pedi para que ele mandasse notícias do exame. Passado um tempo ele volta e me traz o resultado: 120 pontos. Nota máxima! Ele que estava sempre perguntando como estava indo; que queria sempre o mais preciso feedback sobre suas atividades escritas e orais porque se achava fraco; ele passou com nota máxima.

Por que lembrei disso? Porque um dos artigos que lí atribui o sucesso de alunos chineses a pais exigentes. Esse aluno que chegou com seu pai no primeiro dia fez-me logo ver que seu pai não estava alí achando que iria perder tempo. Ele sabia o que queria do filho e o filho sabia o que precisava dar a ele.

 

Além de atribuir o sucesso dos alunos a pais exigentes, algumas pesquisas atribuiram à metodologia usada majoritariamente na China, que seria expositiva e direta no dito ‘Chalk and Talk’. Sem muitos rodeios e até com atividades de memorização como há anos não se quer mais fazer no ocidente que vem seguindo a linha de aulas centradas no aluno e não no professor. Chegou-se inclusive a ponto de se desejar copiar o sistema chines em lugares como UK, por exemplo.

A maioria dos estudos realizados se baseiam em resultados de alunos nas áreas de matemática, mas as atenções se voltam também para o ensino linguístico em escolas bilingues.

Todo esse interesse e investigação na educação chinesa é importante para no mínimo nos fazer rever e reavaliar algumas práticas, além se perder o preconceito com outras. Talvez isso parta de um processo mental mais estruturado e diferenciado por diversos motivos (sitema lógico-linguistico, estrutura da sociedade, expectativa familiar…)

O ‘chalk and talk’ é um método antigo que pode permitir que se dê ao cérebro o tempo que ele precisa para processar informações que não devem e nem podem ser excessiva nesse método o que não é a realidade com o uso constante de novas tecnologias em sala de aula de cursos presenciais. 

Ao escrever, desenhar, graficar no quadro um professor (esse método maltrada o professor em sala mas tira dele o fardo de ter de preparar dezenas de elementos fora classe para serem apresentados e evaporados em segundos frente ao aluno; sobrando tempo para estudo da matéria a ser ensinada), bem, um professor se obriga a seguir uma sequência linear e ao mesmo tempo pontual de explanação.

O que as novas tecnologias nos permitem é fantástico mesmo em termos de velocidade, forma, aspecto visual e diversidade, mas talvez ela também nos ponha numa armadilha que chamo de ‘rolo compressor de informação‘. É possível mostrar e abordar muita coisa ao mesmo tempo e muito rapidamente. Aos alunos sobra o ‘foi muito rápido’ professor ou a impressão de que não se aprendeu nada. Então ele (o aluno) leva aquela zip class pra casa e tenta unzip em seus processos neurológicos-cognitivos; ou não, depende se ele realmente tiver se interessado pelo que viu.

No ‘giz e na conversa’ esse processo se dá ou dava-se ao mesmo tempo e junto com o professor, sobrando a curiosidade epistemológica para seguir em casa, para impor a prática repetitiva. Pelo que parece, as inteligências são multiplas, mas há de se pensar que talvez atingindo uma de uma vez as outras se agitem e entrem autônomas no processo de aprendizagem. Seria muito bom ver mais pesquisas sobre isso.

O que nos sobra é a desconfiança e a vontade de saber mais, de ver mais pesquisas sendo feitas e não só interessadas nos resultados de exames mas nos perfis do alunos (perfis socio-psicológicos) juntamente com a satisfação do trabalhador da educação e o modos operandi da sociedade chinesa e de nossa sociedade; para que não se crie e veicule o que pode ser apenas um mito.

Sobra também a certeza de que o equilíbrio entre essas diversas possibilidades – abordagens, metodologias e tecnicas – é a única garantia que temos por hora de estar fazendo alguma coisa certa.

Veremos!

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Bingo game with pictures

Hi! I made this short game to be used in my lessons as a warmup or a leadin. It can also be used as a wrap up.

Video

I also shared it as a video in my channel in Youtube. It’s different there, because there are no answers in the video.

Have a look in the PPT!

Picture anticipation game to reactivate vocabulary in English.

Download this PPT here: bingo

 

Thank you for the visit.

Sue

Sobre dar aulas e aprender com elas

Suelen Viana

16 de abril de 2015

Sobre dar aulas e aprender com elas

  

Desde os 17 que dou aula. Aos 14, aliás, eu já dava aula, mas de violão, ajudando a galerinha a dominar os acordes nas aulas de música do Tony Medeiro e do Léo em Parintins. Isso só porque eu tinha dedos longos e conseguia com facilidade realizar todos os acordes. Esse momento serviu para eu descobrir um caminho; não o de tocar (embora eu ame), mas o de ensinar. Com o passar do tempo, além de ensinar eu descobri que alí havia uma imensa porta aberta para o educar. De repente eu já não conseguiria mais separar educação de ensino. 

Ando sempre na descoberta de um novo caminhar nesse sentido. Depois disso estreei em sala de aula, aos 17 anos, como prof de língua portuguesa e literatura e logo em seguida como prof de inglês. Com o tempo entreguei-me a linguistica nas universidades e às tecnologias da educação um pouco mais tarde também nas universidades, com aula na pós graduação. Há pouco mudei para o Rio de Janeiro e antes de vir para cá eu estava me dedicando ao Gente Limpa, um trabalho voluntário para educação ambiental e manejo de lixo. Enfim, sou professora desde que descobri o lápis, eu acho.

Porém, eu jamais me havia aventurado na educação infantil; ramo do qual eu me havia esquivado totalmente e voluntariamente. Por quê? Porque sempre tive medo de crianças. Elas sempre foram para mim aqueles seres fofinhos, mas assustadores. A minha primeira tentativa foi com uma turma de 6 anos na Cultura Inglesa, em Manaus, que resultou num desastre com crianças correndo e gritando “eu sou um monstro”. A segunda foi no Yazigi em Florianópolis, onde de certa forma tive mais sucesso com os pequenos que pareciam gostar de minhas aulas; no entanto, esses pequenos já tinham quase 9 anos. Preciso dizer aqui que Cultura Inglesa e Yazigi de Florianópolis foram os lugares que mais me deram oportunidade de amadurecer e viver o despertar de muitas descobertas na minha vida de professora. Descobertas iniciadas bem antes, é verdade, mas cujas práticas precisavam acontecer mais conscienciosamente e isso começou por alí. 

Voltando ao assunto, para minha surpresa e pânico, aqui no Rio de Janeiro eu me vi diante do inevitável: a sala de aula infantil. Infantil mesmo, de 3 a 5 anos. Claro que eu quis sair correndo depois do primeiro mês de aula e ainda quero às vezes, mas outra coisa mais forte tem acontecido. Eu tenho amado a descoberta das crianças, da Suelen professora de crianças e da educação infantil como um todo. Quando voltei para Manaus eu comecei a trabalhar no Icbeu, cujas portas me foram abertas com muita alegria por meus colegas de trabalho que conhecia desde tempos de Cultura Inglesa e que haviam se tornado queridos amigos. No Icbeu eu descobri mais do mesmo. Descobri a parte cultural do ensino de inglês e do ensino em geral. Descobri que uma galeria de arte e um bom audirorio reservam grandes oportunidades de encontros e saberes. Foi alí que descobri também o novo mundo das tecnologias educacionais o qual até hoje me encanta. Se fosse preciso criar um comparativo eu diria que a saudosa Cultura Inglesa e o dinâmico Yazigi de Floripa serviram de berço para minha boa formação na prática educacional da língua inglesa e que o ICBEU em Manaus e a Universidade Federal foram meu debut na fase adulta e mais madura dessa formação de práticas educacionais. 

Do ICBEU-Manaus segui para o Ibeu-Rio, onde ainda estou. E é aqui que uma nova descoberta acontece e algo muito importante se confirma: é só mesmo com um caminhar atento que se ganha a virtude de aprender com o caminho. O caminho se torna um personagem real em nossas vidas. Quase que dialoga com a gente.  Para qualquer profissional o caminho sempre oferecerá pedras e espinhos, mas também oferecerá flores, água e para os mais sortudos, sombra refrescante. Os bastidores, a agitação de políticas internas de um ambiente de trabalho, os relacionamentos, a nossa postura dianteira de tudo isso serão cruciais ou não para seguirmos caminhando. Não há aquele lugar perfeito para trabalhar, às vezes ganha-se bem, mas há o outro lado; outras vezes há um super ambiente profissional mas no final o salário não paga as contas… De tudo isso eu aprendi que é preciso ter uma balança precisa onde tudo deverá ser pesado: os condicionadores internos, os externos e o mais importante: o nosso trabalho (não o nosso emprego). O nosso trabalho no sentido de o que temos feito. Se temos levado a sério nossa conduta profissional, se a estamos respeitando, se estamos nos realizando e se estamos aprendendo com isso. Enfrentar caras feias, puxões de orelha, julgamentos injustos ou salários risórios, não devem ser o suficiente para desviar nosso bem fazer quando somos profissionais e sabemos e respeitamos quem somos. Nossa ira e vontade de mudar o sistema não devem interferir na nossa construção profissional. Isso eu tenho aprendido. Felizmente, onde quer que eu tenha realizado meu trabalho, eu tenho aprendido sempre. Aprendi a dar um passo atrás para dar sempre dois alegres passos à frente. Além disso, tive a imensa felicidade de encontrar pessoas incríveis em todos os lugares onde estive, pessoas que mesmo sem saberem me ensinaram muito.

Pois bem, do Ibeu-Rio eu não sei exatamente onde meu caminho, esse meu parceiro constante me levará, mas o caminhar é certo; e por hora eu quero exercitar a minha doce curiosidade epistemológica de mãos dadas com esses pequenos de 3 e 5 anos. Em pouco tempo eles me ensinaram mais sobre a nossa sociedade, sobre mim, sobre quem somos do que meus livros. É por aí que segue meu caminhar com o despertar de um novo olhar para um caminho que segue e segue e segue…

O caminho aliás é compulsório, ele se revelará sempre a nossa frente, com seus ramais e bifurcações que serão de nossa responsabilidade escolher; o caminhar porém é mais frágil que o caminho e é preciso ser forte e estar atento para que ele não siga apenas a trilha de algum outro caminhante. 

To be walked…

PÓS-GRADUAÇÃO: O QUE É E POR QUE FAZER?

Importante saber!

PIRARUCU

Penso que a melhor maneira de começar a falar sobre a pós-graduação é o início; e esse início não é a pós, é a própria graduação. No Brasil há muitas instituições de ensino superior: universidades, centros universitários, faculdades, escolas superiores etc. Podemos fazer uma diferenciação básica entre elas: a universidade tem obrigação de fazer um tripé clássico: ensino, pesquisa e extensão. Ensino todas elas fazem, é claro. É a atividade mais básica na formação dos profissionais (médicos, odontólogos, professores, engenheiros etc), entende-se por extensão atividades que levem de alguma forma, benefícios da atividade universitária para a comunidade não universitária – sobretudo. Podemos citar como exemplo, um programa esportivo para cadeirantes ou cursos livres de música e línguas estrangeiras. A pesquisa pode ser vista como as atividades que geram conhecimento, onde efetivamente se pesquisa sobre determinado assunto e pode-se chegar a resultados científicos para além dos que já circulam na sociedade…

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Professor perde tempo demais com bagunça

A revista EXAME trouxe dia 25 deste mês um pequeno artigo sobre o trabalho do professor em sala de aula e o tempo real investido em educação e ensino. Evidentemente, o objetivo do artigo não era esclarecer qualquer diferença entre educação e ensino e muito menos discorrer sobre um ou outro do ponto de vista pedagógico. O artigo trouxe números interessantes que mostram o quanto da sala de aula no Brasil é investido em questões disciplinares.

Leia O professor perde tempo demais com bagunça no Brasil

Ainda devem entrar nas contas administrativas o tempo que muitos de nós perdemos em reuniões prolongadas e sem foco em aspectos práticos e na produção em sala e nos resultados. Muitas reuniões se perdem entre o que não se sabe ao certo ser workshop, palestra, show de marketing pessoal, lutas de ego e bla bla bla.

Nas contas de tempo mal utilizado em sala de aula, a bagunça e desrespeito dos alunos com o profissional a sua frente é ainda maior porque TODOS julgam ser tarefa do professor educá-los (os indisciplinados) para que se comportem apropriadamente em situações diferentes, em suas inci(si)pentes competências sociais.

Parece-me que a sociedade com todas as suas profissões transferiram, não à escola exatamente, mas principalmente ao professor a tarefa de educar filhos deseducados em casa, nas ruas, no sistema.

À escola foi dado todo dever de ensinar, educar e amar incondicionalmente. Foi tirado todo poder disciplinar e orientador. Porque tudo ofende a subjetividade humana. Não cabem advertências e nem punições ( à maneira escolar, claro), porque nosso dever é educar. Daí eu me questiono sobre o conceito brasileiro de educação. Em fim …a banda segue

Eu sou professora, amo ensinar e educar, mas lamento imensamente que muitos alunos que sei que poderiam ser brilhantes se percam por conta simplesmente dessa falta de parceria da sociedade com o trabalho do professor e falta de compromisso com o educando. Inteligência ética e competências sociais, por formas simples e autenticamente caseiras se apreendem sim entre os seus, entre os nossos, em casa, nas pequenas células sociais. Em sala de aula, o tempo que o professor passar com os alunos pode ser suficiente para atingir alguns poucos com as principais questões sobre comportamento ético e disciplinar, mas a criança ou o educando aprende mesmo com o meio, principalmente quando este põe em xeque todo saber escolarizado e acadêmico.

É isso!

The art of learning

Putting yourself into the challenge of learning new things brings a sweet feeling of butterflies in your stomach. More than that, it teaches you a lot about you yourself and life. It opens your eyes to a whole new world of possibilities. In my case, the world of colors, shades, traces, emotions, landscapes, shapes, patience and abstraction… In love with painting! The art itself and not necessarily my paintings which are just a small part of this new endeavor. I will never again look at a painting on the wall the way I used to. In fact this has being so since my first step into this in 2005.

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Um lugar para ler e pensar

Um lugar para ler e pensar

Sinto falta de um espaço de leitura nos lugares onde vou. Não falo de uma biblioteca, mas de um espaço assim minimalista, com uma boa conexão wifi onde as pessoas que andam com seus livros no bolso ou que mantém suas bibliotecas digitais possam chegar, encontrar silêncio e conforto para, da forma como desejarem, ler e pensar. Sem livros, sem estantes, mas com poltronas, apoio para pés, mesinhas redondas, almofadas, tapetes fofos, redes e talvez com posters de livros, lista de links, guia de fóruns.. Ok! Algumas prateleiras para que possamos deixar livros lidos e acabados como doação, ou mensagens do coração. Um lugar com cafezinho na sala ao lado, com mesas grande redondas para uma leitura em grupo onde o silêncio pode ser quebrado.

Preciso disso aqui, alí, lá, acolá… já!